Foi uma época feliz. As amizades eram de repente mais profundas, os sentimentos cresciam em espiral e nós com eles. Ríamos por rir e dizíamos tudo o que nos vinha à cabeça, como crianças que ainda éramos. Mas sentíamos, tudo. Nem que fosse a maior parvoíce à face da Terra, era sentida. A adolescência era uma fase desconhecida para nós, ainda mal tínhamos começado a dar os primeiros passos nela. Apesar de tudo, a espiral continuava em movimento e cada vez mais depressa. Os sentimentos tornavam-se mais complexos, mas nós ainda não estávamos preparados. Às tantas a espiral ultrapassou-se a si própria e as coisas começaram a deixar de fazer sentido. Mas era importante, ainda hoje é. Mesmo depois de tanto tempo, ainda nos consigo ver claramente a atravessar a escola a sorrir, o mundo à nossa volta era colorido e os problemas ainda não tinham nome. Olhávamos uns para os outros com cumplicidade, partilhando uma graça que mais ninguém sabia. Era bom guardar segredos que apenas eram importantes para nós, conversar acerca do mundo e saber que tínhamos alguém que estava ali, sempre. Mesmo que fosse oito da noite e o céu já estivesse escuro, se fosse preciso sentávamo-nos no poial à porta da minha casa e o mundo à nossa volta deixava de existir. Aprendi tantas coisas com vocês, foi tão difícil deixar tudo isso. Sei que as coisas nos últimos tempos já não eram bem as mesmas, mas continuávamos a gostar uns dos outros, acima de tudo. Houve coisas que não dissemos e que hoje podemos dizer, sem medos ou complexos. Hoje, ao olhar para trás, vejo que as respostas eram até bem simples. Não era tudo exactamente uma grande tragédia grega como parecia. Apenas ainda não sabíamos o que sabemos hoje e que amanhã saberemos. A vida é mesmo assim, feita de encontros e desencontros. Leva-nos para longe de quem gostamos e, por vezes, até de nós mesmos. Tenho saudades, muitas. Não só do “nós” que formávamos mas também do “eu” que eu era quando estava com vocês.
Sinto-me feliz por te ter encontrado, outra vez. Estás sempre no meu coração, as pessoas importantes e especiais não se esquecem nunca. E memórias como as nossas também nunca se apagam.
Estão sempre presentes, sempre.
Para o Daniel e o Pedro. @
Agora só faltas tu. : )
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2 comentários:
Essa espiral, uma grande espiral, uma enorme espiral mesmo... Mas uma espiral que afinal se começou a tornar recta e que parte dela em tempos desapareceu, mas hoje está visível e é uma recta com curvas...
Recordo com muitas saudades todos esses momentos e de certa forma gostaria de revivê-los, as minhas memórias ternurentas mais antigas são contigo e isso não é novidade para ninguém... Não me vou pôr práqui e desbobinar porque senão nem amanhã estávamos despachados e além disso tudo o que eu diria já tu o disseste...
Enfim, tenho saudades tuas...
Beijinhos
Desta n estavas a' espera. ;)
@
(a tua enorme empatia com as palvrasdeixou-me outra vez comovida amor.)
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