sexta-feira, 20 de junho de 2008

Deixa-me que te diga

Deixa-me que te diga que nada é o mesmo sem ti. Queria ouvir a tua voz, nada mais. Talvez roubar-te um abraço, mas também não peço demais. Vou riscando a folha, desenhando ao acaso. Já não sei mais o que faço. Deixa-me que te diga que os meus dedos ainda cheiram a ti. O cheiro das maçãs é agradável. Tu és ameno e preenches-me o vazio que me vai corroendo o coração. O sabor das maçãs, neste momento, assemelha-se ao paraíso. Mas eu só posso cheirar, afagar um bocadinho. Roubar-te um abraço e um beijinho na cara, nada mais. Eu sei, sempre soube, desde o princípio. Mas agora não quero ver, pensar. Quero cheirar, tocar, sentir. Não me interrompas, por favor. Não digas que não, diz apenas que sim. Não custa nada, dá um passo e avança. Deixa-me que te sussurre ao ouvido aquilo que nunca te disse.
“Nada é o mesmo sem ti…”


Cheira a mar, a espuma, a protector solar e a domingo.
Cheira a noites mal dormidas e a conflito interior.
Cheira a maçãs.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Espiral

Foi uma época feliz. As amizades eram de repente mais profundas, os sentimentos cresciam em espiral e nós com eles. Ríamos por rir e dizíamos tudo o que nos vinha à cabeça, como crianças que ainda éramos. Mas sentíamos, tudo. Nem que fosse a maior parvoíce à face da Terra, era sentida. A adolescência era uma fase desconhecida para nós, ainda mal tínhamos começado a dar os primeiros passos nela. Apesar de tudo, a espiral continuava em movimento e cada vez mais depressa. Os sentimentos tornavam-se mais complexos, mas nós ainda não estávamos preparados. Às tantas a espiral ultrapassou-se a si própria e as coisas começaram a deixar de fazer sentido. Mas era importante, ainda hoje é. Mesmo depois de tanto tempo, ainda nos consigo ver claramente a atravessar a escola a sorrir, o mundo à nossa volta era colorido e os problemas ainda não tinham nome. Olhávamos uns para os outros com cumplicidade, partilhando uma graça que mais ninguém sabia. Era bom guardar segredos que apenas eram importantes para nós, conversar acerca do mundo e saber que tínhamos alguém que estava ali, sempre. Mesmo que fosse oito da noite e o céu já estivesse escuro, se fosse preciso sentávamo-nos no poial à porta da minha casa e o mundo à nossa volta deixava de existir. Aprendi tantas coisas com vocês, foi tão difícil deixar tudo isso. Sei que as coisas nos últimos tempos já não eram bem as mesmas, mas continuávamos a gostar uns dos outros, acima de tudo. Houve coisas que não dissemos e que hoje podemos dizer, sem medos ou complexos. Hoje, ao olhar para trás, vejo que as respostas eram até bem simples. Não era tudo exactamente uma grande tragédia grega como parecia. Apenas ainda não sabíamos o que sabemos hoje e que amanhã saberemos. A vida é mesmo assim, feita de encontros e desencontros. Leva-nos para longe de quem gostamos e, por vezes, até de nós mesmos. Tenho saudades, muitas. Não só do “nós” que formávamos mas também do “eu” que eu era quando estava com vocês.
Sinto-me feliz por te ter encontrado, outra vez. Estás sempre no meu coração, as pessoas importantes e especiais não se esquecem nunca. E memórias como as nossas também nunca se apagam.
Estão sempre presentes, sempre.


Para o Daniel e o Pedro. @

Agora só faltas tu. : )

sábado, 3 de maio de 2008

..

A vida vai passando devagarinho, mansinha.
Um pouco de tédio ali, um pouco de desespero acolá.
Uns quantos sorrisos rasgados e uns quantos braços cruzados.
Uns quantos andares apressados e uns quantos olás baixinhos.

A vida vai passando calminha :)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Corações

Ne-san: What if it never heals? What if I start decomposing into molecules? (don't laugh! this is serious) What if there's going to be a day where I'll say go away instead of stay? :/

Ne-chan: Even if you say go away I'll stay, and it will heal and it will pass and it will cure and it shall never be broken. You will find someone to hold you still when you are decomposing, to pick you up, you'll just have to wait...Denial is a lovely thing but isn't the truth. So don't go away, stay still and be close, closer...^.^


Já foi há algum tempo atrás que tivemos esta conversa mas...apeteceu-me.
Obrigada por seres quem és :)



Já agora, parabéns às minhas meninas lindas...Anna e Vanessinha! :D
Tenho saudades daquelas aulas, do à vontade, das conversas parvas ou especiais, da forma como vocês diziam o meu nome, das horas de almoço, dos gritos e dos jogos de matraquilhos, da forma como vocês tocavam a minha vida...e ainda tocam. Obrigada também...e que sejam sempre muito felizes!


(agora fiquei assim cheia de felicidade, apeteceu-me partilhá-la! :D)



domingo, 13 de abril de 2008

chills

I feel like the color blue.

(porque é que não está a chover?
e porque é que tu não existes de todo?)



ponto e vírgula;

quinta-feira, 3 de abril de 2008

À espera

Eu posso esperar, a sério que sim.
Eu consigo esperar.
Mas não me faças esperar demais.
Já espero há tanto tempo que tenho medo de desesperar.
Já espero há tanto tempo por alguém, que também posso esperar por ti.
Posso esperar por duas pessoas, afinal que diferença faz?
Um pouco mais de ansiedade, apenas.

A sério que sim.
Não te apresses mas também não fiques para trás.
É que eu também tenho medo do tempo...e do escuro.

domingo, 23 de março de 2008

E se?

E se eu construir uma ponte?

E se? E se? E se? E se? E se? E se? E se?
E se? E se? E se? E se? E se? E se? E se?
E se? E se? E se? E se? E se? E se? E se?
E se? E se? E se? E se? E se? E se? E se?
E se? E se? E se? E se? E se? E se? E SE...?


"You see, it's not about answers but about making the right questions."

in Joan of Arcadia

quinta-feira, 13 de março de 2008

Luz Azul


(Luz azul que dança nos teus olhos, luz azul que incendeia os meus. Luz azul que queima as minhas mãos.)



Olhei para cima e contemplei as estrelas brilhantes no céu. Depois suspirei e desejei que estivesses ali, ao meu lado. Deitei-me na erva, brincando com a minha imaginação. Carregando no play, na pausa e rebobinando sempre na parte mais importante. Naquela em que eu vejo os meus olhos a brilhar e quase que consigo sentir o meu coração a saltar com a mesma intensidade. Faço-o tantas vezes que às tantas até já duvido da existência daquele momento. Talvez tenha sido um sonho, talvez tu sejas um sonho.
Daqueles que estão o mais possível próximos de mim, tão próximos que quase sinto a sua respiração, mas que não consigo alcançar. Basta esticar um dedo para te tocar, mas não me consigo mexer. E tu danças, corres, saltas e ris à minha volta. Como se o espaço entre eu e tu te pertencesse mais do que qualquer outra coisa no mundo. E ainda assim eu não me consigo mexer e tocar-te. Começo a achar que isto é tudo uma conspiração entre o meu cérebro e o espacinho entre nós (que te pertence) para que o meu coração deixe de ser o tolo que é e pare de controlar as rédeas dos meus desejos e vontades. Ou talvez seja eu que já imagine demais e esteja a arranjar as razões mais improváveis do mundo para evitar aperceber-me da terrível verdade. Talvez.
Não, não pode ser. Quero dizer…por que é que o meu coração se atreveria a pregar-me uma partida deste tamanho? Não, não acredito. Tu és real. Ainda agora te vi sorrir com os dentes todos e saltar como se ainda fosses criança. Ainda agora vi a tua luz azul cintilar e rodopiar com a mesma velocidade a que sentes o que não queres dizer.
A tua luz encandeia-me e força-me a mexer. Força-me a levantar e a quebrar o teu território do espacinho que, diz ela, também deveria ser meu. Força-me a dançar, correr, saltar e rir contigo. Força-me a dizer o que não quero dizer. Força-te a ti também.
Força-nos, agora, a dizermos o que sentimos. Só sei que depois ficou tudo azul, acho que a tua luz nos cegou aos dois, e depois a minha mente deixou de rebobinar e de fazer pausa. Para continuar sempre no play e mostrando o “ecrã” todo azul. Cheio de ti.
Cheio da tua luz. Que, agora, é a nossa luz.


16.12.2007 @


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ponto de referência

Spend all your time waiting for that second chance
For the break that will make it ok
There's always some reason to feel not good enough
And it's hard at the end of the day
I need some distraction, oh beautiful release
Memories seep from my veins
Let me be empty and weightless and maybe
I'll find some peace tonight
(...)
The storm keeps on twisting, you keep on building the lies
That you make for all that you lack
(...)
It's easier to believe
In this sweet madness, oh this glorious sadness
That brings me to my knees.


Tempos difíceis.
Manhãs felizes, tardes tristes e noites confusas.
Já não gosto dos Domingos, já não me trazem calma. Apenas a velha 'amiga' ansiedade.
Estou na margem do rio a atirar pedras para o outro lado, a vê-las impedir a água de fluir calmamente. Mas estou na margem do rio errada...estou sozinha.
E já não tenho bem a certeza de quem atira as pedras.
Já não tenho bem a certeza se quero ou não estar nesta margem.
Às vezes acho que já não sei nada.
Sinto-me a flutuar, sou pequenina e o meu tecto é de uma imensidão azul.
Sufoca-me.
Estou perdida a flutuar entre as duas margens.
É difícil a escolha. Ambas as margens simbolizam coisas importantes para mim.
Tão importantes que doem e muito.

"Tudo se resolve"
"É assim a vida"
"Viveram felizes para sempre"

(nada disto faz sentido)


Existe sempre um ponto de referência, aquele que nos guia até na noite mais escura.
Mas às vezes as coisas, até mesmo os pontos de referência, sofrem uma volta inesperada de 180º e tomam um rumo completamente diferente do anterior. Depois, já nada volta a ser o mesmo e esse rumo novo é completamente diferente do outro, tão aconchegante.
Às vezes as coisas chegam a um ponto em que nada mais podemos fazer, tudo mudou e nós somos impotentes. Prisioneiros da obscura mudança.
Não sou uma pessoa que goste de mudanças súbitas e permanentes. Detesto-as.
Adapto-me a algumas mas outras hei-de sempre recordar com tristeza.
Estou tão farta de voltas sem retorno. Quero voltar ao ponto onde comecei.
Porque agora onde estou só dá para dizer 'Eu e ela...era assim.'

(confuso? eu própria também estou confusa)

"Can I keep you?"




Abraças-me? (com voz de mimo)