quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Falta de um toque.

Naquela noite nem um bocadinho de céu parecia bastar. Até ele parecia limitado e inseguro, não me deixando transpor para lá dele, não me deixando esvaziar a minha cabeça de pensamentos e perdê-los algures entre a atmosfera. Naquela noite nem o mar me parecia seguro. Naquela noite até as estrelas se riam para mim. Não me senti bem. Perdi o controlo. Deixei-me flutuar até meio metro e depois cai, ilesa. Desejei poder cair assim para sempre. Sem nunca me magoar.
Naquela noite nem o ar nos pulmões me bastava. Podia estar no ponto mais a sul de Portugal, mas nada disso me tranquilizava. Nem mesmo os dois pescadores que nos faziam companhia em todo o molhe (ou molho), a mim e às minhas amigas. Senti falta. Mas falta do quê? Senti que o céu não me deixava transpor as barreiras e isso sufocou-me um pouco por dentro. Senti falta de um toque. De um toque cheio da mais bonita das músicas e da maior das delicadezas. Mas também de um toque que fosse electrizante, de tão cheio de ansiedade que se encontrasse. Um toque querendo e necessitando apenas de outro toque. De puro afecto.
Então perdi-me outra vez. Perdi-me em fantasias de toques, algures entre o céu e o mar, não sabendo bem já qual deles não me deixava ir para lá ou para cá. Perdi-me de mim mesma sem saber bem como. Perdi-me até me encontrar outra vez no mesmo sítio. Então aí abandonei-me e flutuei dois metros. Depois cinco metros. A partir daí, perdi a noção. Então dei por mim a furar todas as barreiras intransponíveis que o céu me havia colocado e senti-me livre. Olhei para baixo e lá muito longe vi os meus pensamentos à deriva, necessitando de orientação. Chamei-os tão alto quanto consegui e minutos depois eles ultrapassaram-me. Continuaram infinitamente deixando-me só. Só com os meus sentimentos. Então aí abandonei-os ali, onde eles pudessem ser livres, para lá das barreiras intransponíveis. E voltei para terra, em pura queda livre. Mas aí já não me podia magoar. A terra abriu um buraco e eu cai no mar, enrolando-me nas ondas e sendo abraçada por elas. Então elas sussurraram-me ao ouvido que tudo estava e ia ficar bem. Acreditei plenamente nelas. Depois acordei. Já não me senti sufocada. Mas continuei a sentir falta. Falta de um toque.

31.07.2007 @ E foi assim que me senti naquela noite de céu aberto junto das minhas duas amigas, no ponto mais a sul de Portugal, o molhe do Farol.

2 comentários:

Anónimo disse...

Aí esta' uma coisa qe tu sabes fazer bem.
Tocar-nos. Fazer com qe sintamos o Toqe. Tocar-nos com aqilo qe melhor sabes fazer. Escrver.

:) Amo-te (L)

Anónimo disse...

amei este e o comentário :D

(tens que me ensinar a por o meu blog todo catita como o teu xD)

Carolaina @ Obrigada por veres o melhor em mim! Amiga <3